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10 anos de videoclipes interativos: em busca da maturidade expressiva

Nessa era pós massiva, onde o videoclipe migra da Televisão para a Internet, sua forma expressiva, até então aparentemente estabilizada, ganha um novo espaço, ou melhor, um novo universo. No auge da MTV, entre as décadas de 1980 e 1990, o fluxo de produção de videoclipes perpassava da gravação, edição e montagem até chegar na exibição na grade televisiva. Entretanto, com o advento da Internet, especificamente com a evolução da web 1.0 para 2.0, web como plataforma, os videoclipes começaram a migrar para os sites e plataformas de vídeos. A partir desse novo cenário, o termo programação, aqui entendida como linguagem de computação, entra no fluxo da produção audiovisual. Diante disso, o realizador de videoclipe não apenas edita ou monta, ele o programa. Esse modus operandi híbrido dos videoclipes na Internet revela um aprofundamento e desenvolvimento da forma expressiva, onde várias linguagens, como a da programação, reduto até então dos videogames, utiliza o videoclipe como um gênero de experimentação artístico-tecnológico.

Nesses processos digitais, numa estruturação híbrida e sincrética, o videoclipe tem encontrado seu lugar, pois é no contexto da cibercultura que esse pequeno formato audiovisual deixa de ser um produto exclusivo do ambiente televisivo. Assim, a forma expressiva do audiovisual na internet toma o navegador como o lugar de circulação. Do antigo mouse, temos as telas táteis, mas com os avanços de webcam acopladas ao monitor, a possibilidade de mapeamento e produção de comandos por fala e gestos, adicionam mais formas de construção de um audiovisual na internet. A tela continua, porém, com os avanços de telas táteis, óculos Rift, a construção toma outros caminhos. 

É esse cenário que tratamos na tese desenvolvida por mim, sobre orientação da Profa Ana Silvia Davi Lopes Médola no programa de pós-graduação em Comunicação pela UNESP-FAAC de Bauru que tem como título “Videoclipe Interativo: os processos de Sincretismo e Hibridização de linguagens no videoclipe expandido”. Porém, essa discussão iniciou-se em 2011 com o meu ingresso ao mestrado onde tínhamos o desafio de compreender as mudanças nas relações de comunicação e formas de consumo do videoclipe em novos formatos, pautados pelos conteúdos interativos, possibilitados pelas tecnologias digitais das mídias contemporâneas. Partíamos da hipótese que os recursos de produção existentes nos diferentes dispositivos de comunicação infoeletrônicos agiam no processo de constituição de linguagem do videoclipe, criando assim experiências inovadoras nos modos de fruição e nas realidades de consumo. Deste modo, desenvolvemos uma análise que se apoiava em problematizar as interações mediadas em ambientes informáticos a partir da linguagem nos estudos da comunicação, semiotizando a interatividade nos videoclipes. Assim, foi escolhido como corpus os projetos desenvolvidos pelo diretor Chris Milk em parceria com a Google Data Arts, The Johnny Cash Project, The Wilderness Downtown e Three Dreams of Black. Já naquela oportunidade a questão da interatividade foi tomada como eixo central da discussão do videoclipe na internet, pois entendíamos que proporcionava uma nova forma de constituição textual do videoclipe em uma situação de hipermídia, na qual a base interatividade é pensada para funcionalidade de retorno.

Atualmente, em nossa tese, partimos da premissa que esses videoclipes denominados interativos são um objeto sincrético, um texto audiovisual, por conseguinte, concretiza-se discursivamente em um suporte, abrindo caminho para o desenvolvimento de formas expressivas inovadoras. Dessa forma, nossa pesquisa apoia-se na questão do sincretismo de linguagem em interface com a questão da hibridização de meios numa perspectiva dos estudos da linguagem na comunicação. Para isso, desenvolvemos um site com a catalogação de mais de 150 videoclipes interativos que servirá de corpus de nossa pesquisa. Acessando o link: https://interactivemusicvideo.blogspot.com.br/ os usuários poderão pesquisar por meio de tags todo conteúdo disponibilizado, conseguindo observar toda timeline dos 10 anos de produção de videoclipes interativos coletados em nossa pesquisa. 

Podemos concluir, preliminarmente, que essas experiências são uma espécie de indicativo de um processo de desenvolvimento de uma linguagem específica para internet na qual uma das principais alterações que essas tecnologias digitais fomentaram aos dispositivos analógicos foi a possibilidade da convergência dos meios, onde os novos dispositivos criam possibilidades expressivas nunca antes experimentadas. São experiências que demonstram avanços no que diz respeito a formas expressivas requerendo, assim, a necessidade da ampliação dos instrumentos de análise para compreensão das novas formas de expressão.

Carlos Henrique Sabino Caldas possui graduação em Comunicação Social Publicidade e Propaganda pela Universidade Paulista, UNIP; especialização em Arte Educação pela Unesp e mestrado em Comunicação pela Unesp, onde atualmente cursa o doutorado em comunicação.

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