Educação

Professores da rede pública estadual conhecem o Cerrado da UFSCar

Observar a vegetação e os animais, além de perceber as condições climáticas dos diferentes ambientes naturais presentes no fragmento de Cerrado do campus sede da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Essas foram algumas vivências proporcionadas pela primeira atividade prática do curso de extensão "Cerrado à vista", promovido pela Universidade e a Diretoria de Ensino de São Carlos. A ação, que aconteceu no último sábado, dia 1º de junho, teve a parceria do projeto Trilhas da Natureza da UFSCar.

A formação é destinada a professores da rede pública estadual de São Carlos e região e integra o projeto de extensão "Aves migratórias no Cerrado: comunicação e educação", coordenado pela professora Silvia Nassif del Lama, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Genética Evolutiva e Biologia Molecular (PPGGEv) da Universidade. O projeto é gerenciado pela Fundação de Apoio Institucional (FAI/UFSCar) e financiado pela US Fish and Wildlife Service.

"A prática vem para complementar o que é compartilhado nas aulas teóricas. É um momento importante, com experiências e vivências que contribuem para o aprendizado. Saímos do 'apenas falar do Cerrado' para senti-lo e vê-lo com os próprios olhos. Abrimos o caminho para a dimensão do conhecimento vivido", afirma a bióloga e Coordenadora do curso, Carolline Zatta Fieker.

Com conteúdo teórico-prático, o "Cerrado à vista" também busca colaborar com a conservação desse bioma, sua fauna e flora. O curso teve início no dia 22 de maio e conta com 37 alunos-professores matriculados. Além de professores de Biologia e Geografia, há participantes das áreas de Física, Matemática, Artes, Língua Portuguesa, Pedagogia, Filosofia, Sociologia e História.

"Considero que a Educação Ambiental é tema transversal e interdisciplinar que todos os componentes curriculares devem abordar", defende Carla Campos Batista da Silva, professora de Filosofia e Sociologia da Escola Estadual "Prof. Aduar Kemell Dibo", participante do curso. "Como a minha formação inicial não me preparou para discutir esses conteúdos, o curso me ajuda a desenvolver a temática com meus alunos, levando-os a se reconhecerem como agentes do meio ambiente, pela preservação da vida", destaca Silva. As questões referentes à preservação e conservação e o aval da UFSCar também atraíram Simone Marcondes Cesar, que leciona Ciências e Biologia na Escola Estadual "Conde do Pinhal". "Senti seriedade na proposta e no grupo de pessoas envolvidas. Não consegui resistir", destaca a professora.

VISITA AO CERRADO

A visita ao Cerrado, guiada por Carolline Zatta Fieker e pelo biólogo Matheus Gonçalves dos Reis, teve início às 7h45 e contou com dinâmicas ao longo de quatro horas. Antes de entrar no Cerrado, o grupo recebeu imagens de animais e plantas de animais que vivem no bioma. O objetivo foi estimular os participantes a pensarem como é a vida nesse ambiente, as relações entre os organismos e a importância deles para a natureza e para a sociedade. A atividade foi adaptada da dinâmica "Quem sou eu e como me relaciono" criada pela bióloga Amanda Carolina de Mello, integrante do projeto Trilhas da Natureza. Ela acompanhou a visita junto à Coordenadora do projeto, Liane Biehl Printes, bióloga da UFSCar, e outros integrantes.

 

"Em seguida, durante a caminhada no Cerrado, encontramos e falamos sobre algumas plantas - lobeira, pequi, canela-de-velho, mandioca-do-cerrado, angico-do-cerrado etc. - e algumas aves como o arapaçu-do-cerrado, a pomba asa-branca e o tucano-toco", descreve Carolline Fieker. Outros temas tratados foram: o papel de alguns invertebrados no Cerrado (como, por exemplo, a dispersão secundária de sementes pelas formigas); as adaptações das plantas do Cerrado ao fogo; e a vinda das aves migratórias do hemisfério Norte ao Cerrado apenas na época quente e chuvosa.

"Fomos aprendendo ao longo da estrada. Quando ouvíamos uma ave ou víamos um arbusto, uma abelha, uma formiga no chão, parávamos e tínhamos uma explicação", relata a docente da UFSCar Silvia del Lama. Na sequência, o grupo parou para um lanche. "Nesse momento tivemos uma intervenção poética dirigida por Sonia Maria Pinheiro, bibliotecária da Biblioteca Municipal "Euclides da Cunha" e professora de Contação de Histórias do curso. Ela leu um texto de Rubem Alves e um texto próprio sobre o Cerrado e suas riquezas, entre outros", conta del Lama.

Após a parada para o lanche, os professores, divididos em grupos, puderam observar, ouvir e sentir o Cerrado ao longo da estrada. Na sequência, seguiram para o Lago Mayaca e para a Mata Galeria, onde foi possível perceber as alterações no clima local. Para Cristina Pirassol Serrano, professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual "Sebastião de Oliveira Rocha", o contato com a natureza concretiza o aprendizado, dá significado à teoria. "Portanto, foi muito bom e essencial", garante.

"A atividade foi maravilhosa", sintetiza professora Simone Cesar. "A oportunidade de poder estar com pessoas capacitadas e que desenvolvem um projeto com amor e extrema educação só pode me proporcionar conhecimento. E será através desse conhecimento que projetos e ações educativas serão desenvolvidas com os alunos visando a conservação e preservação dos biomas e da biodiversidade. Que venham outras atividades de campo!", conclui.

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