Artigo

Coluna Onda Esportiva: dinheiro compra grandeza?

Olavo Villas Boas

O futebol é um espelho da sociedade, sendo assim, pouco tempo levou para que a globalização abraçasse o futebol e o tornasse um patrimônio mundial.

Superastros, grandes contratos de patrocínio, e altíssima rentabilidade são aspectos que são comuns nos clubes/empresas que dominam o esporte, e assim, grandes nomes e grandes escudos atraem grandes investidores, mas a pergunta que fica é: Dinheiro compra grandeza?

Os mais famosos exemplos de investimento alto são o inglês Manchester City, e (mais recentemente) o francês Paris Saint Germain, que se tornaram ricos da noite pro dia com a chegada de donos bilionários, que injetando dinheiro, construíram grandes esquadrões, dominando seus países (há resguardos quanto à Premier League) e engolindo campeonatos nacionais, porém, o sucesso parece longe de ser palpável no cenário europeu.

O Manchester City conseguiu chegar à semifinal da Champions League na temporada 2015/2016, e por lá ficou, o time parou no meio do caminho até a edição atual, caindo por exemplo, para o Monaco, um "semirrico", e mais recentemente para o Liverpool.

O Paris abalou as estruturas do futebol na última temporada com a contratação de Neymar, o transformando no jogador mais caro da história do esporte mais popular do mundo. Fato é que, mesmo com grandes esquadrões, os times não deixaram de ser pequenos, não adquiriram a história de um Ajax, ou de um Milan, hoje menos afamados, menos competitivos (lamentavelmente), mas ainda gigantescos.

 

A camisa tem peso, e isso o futebol mostra em momentos decisivos, e em todo momento em que uma camisa e uma tradição foram construídas, em sua maioria, dinheiro não era uma das forças matrizes do time.

 

A Europa já foi conquistada pelo Aston Villa em 82, batendo o Bayern; pelo Steaua Bucareste em 86, batendo o Barcelona, ou então pelo modesto Estrela Vermelha de Belgrado, que bateu o forte Olympique de Marseille em 1991, numa época em que o dinheiro não importava tanto.

 

Hoje, o domínio da década é evidente da Espanha, em suma, do Real Madrid, na Champions, no entanto, recentemente o Sevilla, sob o comando de Unai Emery, emplacou três UEFA Europa Leagues seguidas, e, atualmente, o Atlético de Madrid detém o título. Além disso, o último time a ser campeão europeu antes da sequência merengue é o Barcelona.

 

Mas podemos trazer esses histórico de investidores para o Brasil, usando, como exemplo, o Palmeiras, que viveu um período vitorioso de 1992 até 2000, conquistando os maiores títulos da história do clube, e o maior, a libertadores de 1999; tudo isso advindo de uma cogestão com a Parmalat, que investiu e trouxe jogadores para o clube, criando um excelente esquadrão, multicampeão com páginas douradas na história do Palestra, mas que ao perder o patrocínio, foi atirado a uma fossa que culminou em um rebaixamento.

 

No entanto, a exemplo do Palmeiras, era um time que já era gigante em seu país, antes do investimento, e essa adição financeira não alterou o tamanho ou a história do clube drasticamente.

 

Em resumo, olhando pelas novas potências do futebol, seus investimentos em comparação com seus resultados, por enquanto, concluímos facilmente que o dinheiro compra craques, estádios, alguns títulos, mas nunca tradição.

Será que isso um dia muda? A reflexão é válida.

 

*O programa Onda Esportiva vai ao ar todas as quartas-feiras, às 20h, na Rádio UFSCar (95,3 FM). Curta nossa página no Face: www.facebook.com/ondaesportiva

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