Artigo

Adélio Bispo de Oliveira, o Perfil de Uma Incógnita

 

Da matéria exibida pelo “Conexão Repórter”, no dia 10/08/2018, é possível extrair algumas informações que delineiam o perfil daquele que atentou contra a vida do deputado federal Jair Bolsonaro:

1. Religioso;

2. Inteligente;

3. Calmo;

4. Solitário;

5. Nômade

6. De filiação política à esquerda;

7. De orientação política à esquerda;

8. Sem contato com a família.

É antagônico, à estranheza, o perfil do religioso e do agressor. Alguém descrito por sua família como uma pessoa “boa”, religiosa, centrada, mas que tentou matar um político brasileiro. Cá estou eu, novamente, a pensar com meus “botões”: como é possível? Como esses dois aspectos, do bom e do agressor, poderiam interagir na mesma pessoa?

Só vislumbro dois caminhos a tomar nessa encruzilhada analítica: ou a família está mentindo e ele nunca foi uma pessoa boa; ou ela está falando a verdade e esses dois aspectos, o bom e o agressor, se coadunam na mesma pessoa.

Conforme minha análise pessoal das entrevistas concedidas pelos familiares de Adélio ao "Conexão Repórter”, a maneira como relataram, a riqueza de detalhes, o tom de voz, o perfil familiar, tudo me leva a crer que eles realmente estejam falando a verdade. O sr. Adélio de Oliveira, realmente, era uma pessoa boa. Mas então, o que aconteceu? Como um pessoa boa veio a tentar contra a vida de um inocente.

Meus “botões” sempre falam... estão sempre tamborilando... eles não param...

Deve haver um intersecção. Somente isso, ao meu ver, poderia explicar essa mudança brusca da personalidade de um pessoa boa para a de um agressor.

Há dois detalhes que, por convergirem, me chamaram atenção: foi na mesma época em que Adélio se desfilou de partido político com o qual tinha ligação, o PSOL, que também deixou de ter contato com sua família.

Segundo sua sobrinha, ouvida na reportagem, havia três anos que não tinha notícias de seu tio Adélio. É importante levar isso em conta, tendo em vista que o advogado de Adélio disse que a única pessoa da família com a qual ele quis manter contato, imediatamente após ser preso, era com a sobrinha (ideia que desistiu rapidamente); ou seja, a sobrinha era a pessoa de sua família com a qual tinha a maior afeição e que no momento de maior aperto, logo se lembrou. No relato dela, Adélio lhe foi uma figura paterna. Contudo, mesmo com a sobrinha, Adélio tinha perdido o contato há três anos. “Sumiu.”

Interessante... sua desfiliação ocorreu no dia 29/12/2014, ou seja, na virada de 2015 e sua sobrinha falou que não tinha notícias de Adélio há, aproximadamente, três anos. Nas palavras dela: “Tem uns três anos que a gente não tem mais contato.” Foi, praticamente, na mesma época em que Adélio se desfiliou do partido que também “desapareceu”.

Onde Adélio esteve durante esses três anos? O que esteve fazendo? Com quem manteve contato? O que pode ter acontecido nesses três anos que poderia tê-lo mudado tanto?

Será que foi nesses três anos “desaparecido” que Adélio conheceu essa pessoa ou essa organização capaz de arcar com as custas desses quatro advogado tão caros que o representam? Será que foi nesses três anos “sumido” que Adélio manteve contato com essa pessoa ou organização que paga seus caros advogados?

Hum... não sei... talvez sejam perguntas para as quais jamais obtenha respostas...

Há uma pergunta reincidente: como essa pessoa ou organização se articulou tão rapidamente, a ponto de contratar advogados e eles comparecerem já na audiência de custódia? Menos de 24 horas após o ocorrido! É como se essa pessoa ou organização já estive preparada para isso. Como advogado, já vi casos de juízes não conseguirem advogados para audiências de custódia mesmo tendo oficiado. No caso de Adélio, os advogados foram contratados, pagos e ainda se deslocaram até onde Adélio estava preso. Foi muito rápido. Uma logística de dar inveja a muitas empresas do ramo.

O advogado disse que foi um “conhecido da igreja”, mas conforme a reportagem exibida no “Fantástico”, a denominação evangélica, da qual estava afastado, era frequentada por pessoas pobres. Mais uma que não “bate”.

Eu devo estar imaginando demais... devo ser daquelas pessoas que a imginação muito fértil.

E cá estou eu com meus “botões”, eles costumam sussurrar coisa aos meus ouvidos... ciciam para mim... Vou teorizar... Vou fingir, só por uma momento, que a vida imita a arte (ou será o contrário?); só por um momento peço permissão para dar asas à imaginação... ela está voando alta...

Lembro-me de um filme, “The Recruit” (2003). Nele, após o autor principal ser reprovado num exame para espiões, vem a descobrir que sua reprovação foi uma mentira com o intuito de deixa-lo mais “palatável” para uma futura investigação. Ficou um tempo distante de seus colegas espiões e quando voltou, não levantou suspeitas. Parecia outro pessoa; simplesmente alguém do" baixo clero ". Estava pronto para o trabalho. Algo parecido com o filme" Os Infiltrados ", no qual Leonardo DiCaprio está falsamente fora da polícia, mas trabalhando para ela como um agente disfarçado. Fora da" organização ", mas trabalhando para ela...

Segundo Sun Tzu:

Toda guerra é baseada em dissimulação. Por isso, quando capaz, finja ser incapaz; quando pronto, finja grande desespero; quando perto, finja estar longe; quando longe, faça acreditar que está próximo. (A Arte da Guerra)

Que tal: quando inteligente, fingir ser louco... quando mandado por homem, fingir ser Deus... A defesa abriu incidente de insanidade.

Nas palavras de Al Pacino: “Nada é o que parece... não consegue perceber a complexidade dessa coisa... sabe o que o Papa disse: ‘finja!’”

No filme se tratava de “baixar a poeira”. Não deixar rastros. Esfriar contatos, para que quando Farell voltasse, não levantasse suspeitas. Mal sabia o jovem “Colin” que estava sendo usado. Que não era nada daquilo. Que era descartável. Que esperava e esperavam que saísse morto. Somente um peão numa intrincada partida de xadrez. O tiro saiu pela culatra. Arquivos teriam de ser queimados.

Para terminar com chave de ouro, na conta de Adélio um deposito de três mil e quinhentos reais. Segundo seu advogado, em entrevista ao “Conexão Repórter”, de verbas rescisórias trabalhistas. “Perai” como assim?! Ele estava desempregado há cinco meses, mas seu ex-patrão resolveu depositar as verbas rescisórias cinco meses depois de ele ter sido demitido e um pouco antes de Adélio ter tentado matar Bolsonaro?! Cinco meses depois?! Uma ligação telefônica antes e outra depois do atentado...

Como disse, tenho a imaginação fértil...

Três anos e voltou como uma outra pessoa... em três anos muita coisa pode acontecer... pessoas podem ser treinadas, pensamentos podem ser mudados... “lavagens cerebrais" podem ser feitas... personalidades podem ser transmutadas.... homens religiosos podem se tornar potenciais assassinos...

Um recruta... um novato... uma incógnita... um Adélio...

Mas como disse, é só minha imaginação, não disso aconteceu, né?!

“A dissimulação é a ciência dos reis” (Cardeal de Richelieu)

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